NOVOS MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS

Uso dos Fármacos Modernos segundo o Princípio da Similitude

 

A Homeopatia utiliza como princípio fundamental a Lei da Similitude ou Lei da Semelhança. Esta lei propõe que toda substância capaz de provocar sintomas em um indivíduo são, também é capaz de curar estes sintomas produzidos. Os medicamentos homeopáticos são definidos após a comparação dos sintomas relatados pelo consulente, com a Matéria Médica. A Matéria Médica contém o quadro sintomático que cada medicamento homeopático provocou ao ser experimentado em condições sadias do indivíduo. Assim a definição do medicamento homeopático para cada consulente ocorre por semelhança entre os sintomas apresentados por ele e o medicamento presente na matéria médica que provoca estes mesmos sintomas em um homem saudável. Hahnemann, pai da Homeopatia, no Século XVIII, observou as propriedades farmacológicas de dezenas de medicamentos e percebeu que ocorria uma ação secundária (ação indireta) no organismo em resposta a ação primária (ação direta) da droga. Enunciou assim o “mecanismo de ação” das drogas no organismo:

 

“Toda a força que atua sobre a vida, todo medicamento afeta em maior ou menor escala a força vital causando certa alteração no estado de saúde do Homem por um período de tempo maior ou menor. A isto se chama ação primária. [...] A esta ação, nossa força vital de esforça para opor sua própria energia. Tal ação oposta faz parte da nossa força de conservação, constituindo uma atividade automática da mesma chamada ação secundária ou reação“.

(Organon da arte de curar, parágrafo 63)

 

Assim, quando uma droga entra em contato com o organismo, provoca uma ação primária e em reação a esta, na tentativa de manter a homeostase, surge a reação secundária (força de conservação). Fazendo uma ligação entre a ação primária e secundária dos medicamentos experimentados por Hahnemann com a farmacologia moderna, vemos muitos relatos de medicamentos, que descrevem através de seus estudos, uma ação secundária aquela primária, efetuada no organismo, decorrente da terapêutica alopática a que se destina, recebendo o nome de efeito rebote ou reação paradoxal do organismo pela medicina tradicional. Exemplos desse efeito das drogas modernas, é o caso de analgésicos, como cafeína, bloqueadores de canal de cálcio, clonidina, ergotamina, opióides, salicilatos, que podem apresentar importante hiperalgesia como efeito rebote. Também antidispépticos, como antiácidos, antagonistas de receptores H2, misoprostol, antagonistas da bomba de prótons, para tratamento de gastrites e úlceras que podem promover após uma queda primária na acidez estomacal, uma produção gástrica de ácido clorídrico mais intensa como efeito rebote.

 

De forma análoga aos medicamentos homeopáticos, os medicamentos modernos podem ser utilizados na terapêutica homeopática baseado em seu efeito secundário. Para viabilizar esta proposta, um projeto Intitulado “Novos Medicamentos Homeopáticos: Uso dos Fármacos Modernos Segundo o Princípio da Similitude”, está sendo executado e é dividido em três partes:

(1) “Fundamentação Científica do Princípio da Similitude na Farmacologia Moderna”;

(2) “Matéria Médica Homeopática dos Fármacos Modernos”;

(3) “Repertório Homeopático dos Fármacos Modernos”. Este projeto está em andamento, e seu objetivo é apresentar uma metodologia para a aplicação de fármacos modernos segundo a terapêutica da semelhança, acrescentando mais de 1250 medicamentos à Matéria Médica Homeopática.

 

Fernanda Fregnani Colombi

 

 

Referências:

 

COLOMBI, Fernanda F. A pesquisa frente à comprovação do medicamento homeopático. 2006. 38p. Dissertação (Especialização em Farmácia Magistral Alopática e Homeopática) – Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubarão, 2006.

HAHNEMANN, S. Organon da arte de curar. 6. ed. São Paulo: Robe, 1996.

Teixeira MZ. Evidence of the principle of similitude in modern fatal iatrogenic events. Homeopathy. 2006; 95(4): 229-236. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17015194.

Teixeira MZ. Similitude in modern pharmacology. British Homeopathic Journal. 1999; 88(3): 112-20. Disponível em:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10449051.Links:http://www.novosmedicamentoshomeopaticos.com/port/apresentacao.asphttp://www.homeozulian.med.br/homeozulian_novosmedicamentoshomeopaticos.asp